Confira hábitos e cuidados que fazem bem ou mal aos olhos

Confira hábitos e cuidados que fazem bem ou mal aos olhos

Cerca de 14,5% dos brasileiros sofriam algum tipo de deficiência, a maioria deles, 48,1%, eram cegos há 11 anos, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística de 2000. Não enxergar desde o nascimento significa uma vida com certas dificuldades, mas deixar de ver as formas e cores, uma vez que já se estava acostumado a isso, é uma adaptação mais difícil.

Pessoas míopes, com astigmatismo ou hipermetropia experimentam um pouco da dependência que um deficiente visual enfrenta, quando não encontram os óculos ou perdem as lentes de contato. Ao todo, segundo o IBGE, 2,4 milhões de pessoas tinham dificuldade para enxergar em 2000.

Uma pesquisa feita pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia em 2004 mostrou que 60% das cegueiras eram evitáveis. Por isso, alguns hábitos diários devem ser levados à sério. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, é importante lavar os olhos com água diariamente, não esfregar as mão sujas ou coçar os olhos. “Para quem usa óculos é importante estar com eles ajustados, com o grau certo, quem tem histórico de glaucoma na família, deve procurar o oftalmologista para exames rotineiros, após os 40 anos”, afirmou. Além disso, o médico lembra da importância de levar a criança ao oftalmologista na fase da alfabetização.”Se você perceber uma mudança repentina em sua capacidade de ver, não espere até sua próxima visita, faça um exame de seus olhos imediatamente”, disse.

Ao mesmo tempo em que alguns cuidados são desconhecidos, mitos se tornam verdade, como é o exemplo de que ler no escuro faz mal. Segundo o médico oftalmologista do Hospital de Olhos de São Paulo Eglailson Dantas Almeida Junior, “a pessoa não vai passar a precisar de óculos por isso”. O que acontece é que à penumbra é preciso forçar mais a vista, o que pode gerar cansaço visual e dor de cabeça. A história de que comer no escuro pode causar descolamento de retina, uma vez que as pupilas se dilatam e o maxilar às pressiona, é mito, diz Almeida Junior. O médico disse que ficar em frente ao computador não aumenta o problema de visão e, quando surge dor de cabeça ou irritação, a pessoa deve apenas descansar por alguns minutos. “Ler bastante também não prejudica os olhos, só deixa mais inteligente”, brincou.

Os principais problemas de visão relacionados aos óculos (erros refrativos) são: miopia – quando a imagem se forma à frente da retina e a pessoa não enxerga de longe -, astigmatismo – quando a imagem se forma em dois focos diferentes e a pessoa enxerga embaçado de perto e de longe -, hipermetropia – quando a imagem se forma atrás da retina e a pessoa pode apresentar sintomas de dificuldade para perto, segundo o oftalmologista. Os três primeiros, geralmente, surgem sem causa externa.

O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto afirma que é importante diferenciar o que faz mal aos olhos, das crendices populares. Usar óculos de grau ou solar do camelô, lentes de contato por muitas horas, ler no ônibus, usar colírios sem prescrição médica, mergulhar de olho aberto confira o que é mito ou verdade e como cuidar da saúde dos olhos.

– Usar óculos de sol sem ter certeza da qualidade e proteção contra os raios ultravioletas tem sérias consequências para a saúde ocular. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, lentes que só escurecem e não possuem filtros, são prejudiciais, pois as pupilas se dilatam e a quantidade de raios que penetram nos olhos é muito maior, podendo provocar doenças como a catarata

– Os óculos de camelô distorcem as imagens, o que provoca dores de cabeça e nos olhos, diz Queiroz Neto. Os óculos corretores são feitos exatamente de acordo com o problema de cada paciente, no entanto, os vendidos em camelôs já vêm com um grau especificado e podem não se adequar ao defeito visual da pessoa. Além disso, óticas medem a distância pupilar do paciente, para fazer a lente centrada

– As lentes de contato não devem ser lavadas com água de torneira, tampouco a pessoa pode tomar banho de chuveiro ou piscina com elas. Almeida Júnior diz que as impurezas da água contaminam as lentes, que podem causar infecções sérias na córnea. O ideal é higienizar as lentes de contato com água filtrada, produto especializado ou água boricada

– Comer no escuro não faz mal à saúde ocular, segundo o oftalmologista Almeida Júnior. A história de que no escuro as pupilas se dilatam e ao mastigar elas são espremidas pelo maxilar, podendo causar um descolamento de retina é um mito, de acordo com o profissional

– Um hábito comum entre as pessoas, principalmente entre os estudantes, é aproveitar as horas no trânsito para estudar ou ler um livro. De acordo com o oftalmologista Almeida Júnior, existe uma teoria que a ação pode causar o descolamento de retina, que é mito – o próprio oftalmologista revelou ter este hábito. O médico Queiroz Neto afirma que ler em movimento pode causar tontura ou náusea por desequilíbrio do labirinto, mas não descola a retina

– Almeida Júnior chama a atenção para o contato da mão com os olhos. Ao pegar o metrô e colocar a mão no corrimão, por exemplo, deve-se evitar passar a mão na região ocular, para não correr o risco de pegar infecções. Segundo o médico, se uma pessoa com conjuntivite ou outra infecção tiver colocado a mão contaminada ali antes, a doença pode ser transmitida. Quando alguém contrai qualquer infecção nos olhos deve evitar o contato com as demais pessoas

– Dormir com lentes de contato é “proibido”, afirma o oftalmologista Almeida Júnior. Segundo ele, a córnea precisa respirar e com o produto isso não acontece. O ideal é ficar, no máximo, dez horas seguidas por dia com as lentes. Já os óculos, de acordo com Almeida Júnior, não impedem a respiração da córnea e podem ser usados o dia inteiro

– O uso de óculos não interfere na evolução de problemas como miopia e astigmatismo, afirma o oftalmologista Queiroz Neto. No entanto, ocorrem incômodos da dificuldade para enxergar, como lacrimejamento, vermelhidão nos olhos e dor de cabeça. Mas usar ou não óculos não irá fazer o grau aumentar ou diminuir. É como se fosse uma cadeira de rodas, auxilia a pessoa a se locomover, mas não a faz andar de novo. Segundo Almeida Júnior: “O grau é relativo à idade e desenvolvimento”

– Mergulhar de olhos abertos na piscina ou no mar deixa os olhos expostos à uma série de bactérias, que podem causar infecções. Segundo o médico Almeida Júnior, se alguém com conjuntivite se banha em uma piscina pode transmitir a infecção a todas as outras pessoas que estão nadando no local. Além disso, o sal e o cloro provocam irritação no globo ocular

– Usar colírios todas as vezes que surgir qualquer irritação nos olhos não é adequado, segundo o oftalmologista. “O produto pode dar algum efeito colateral ou a pessoa ter alergia à fórmula”, alerta o médico. Além disso, Queiroz Neto chama a atenção para a importância da lavagem das mãos antes da aplicação e usar medicamentos dentro do prazo de validade

– Usar óculos não vicia, segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto. Ele explica que algumas pessoas passam boa parte da vida sem saber que enxergam mal. Quando descobrem e corrigem o problema, se dão conta do quanto é confortável ver com nitidez e, por isso, têm dificuldades em ficar sem óculos

– Segundo Queiroz Neto, ao fazer a cirurgia nos olhos, a possibilidade de zerar o grau é de 96%. Caso a cirurgia seja feita quando o grau já está estabilizado, a chance do problema voltar é praticamente inexistente

– Ler demais não deixa a vista cansada, segundo Queiroz Neto. O problema surge com a idade, independente da exigência dos olhos.

– Assistir televisão a menos de três metros de distância pode provocar cansaço ocular por forçar a acomodação e a convergência, mas não prejudica a visão. O ideal é assistir sempre em ambiente iluminado, de acordo com o médico oftalmologista Queiroz Neto

– Segundo Queiroz Neto, ficar em frente ao computador não compromete a visão, mas pode deixar os olhos secos, já que se pisca com menos frequência. A falta de lubrificação deixa os olhos menos protegidos e a visão fica embaçada com mais facilidade. “Deve-se fazer uma pausa a cada 50 minutos”, aconselha ele

– Não se deve usar anel aquecido como tratamento para o terçol, de acordo com Queiroz Neto, para evitar queimaduras na pálpebra. Segundo ele, o terçol é uma irritação provocada pela obstrução de uma glândula produtora de gordura ou infecção bacteriana. O tratamento deve se basear na aplicação de compressas mornas.

Fonte: Terra

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