21 curiosidades IMPRESSIONANTES sobre os OLHOS

21 curiosidades IMPRESSIONANTES sobre os OLHOS

Enxergar bem é um verdadeiro privilégio. Cores, formas e texturas. Todas as imagens que temos do nosso mundo vieram a partir dos nossos olhos. E como queremos continuar passando pela vida com boas visões, é importante que saibamos muito bem: alguns detalhes, algumas verdades e alguns mitos sobre nossos olhos.

Para poder enxergar com nitidez, é importantíssimo que uma série de estruturas estejam em plena forma e funcionamento: córneas, cristalino, vítreo, retina, nervo óptico. Hoje, vou te mostrar 21 fatos que você provavelmente não sabia sobre os nossos olhos, a oftalmologia e a nossa visão. Vamos começar?

 

 

Colírios

1) O uso de colírios sem receita médica pode deixar uma pessoa cega

dicas colírio

Sim. E mesmo aqueles colírios que só servem para “limpar os olhos”. No dia-a-dia do consultório vemos de tudo. E sabemos também que infelizmente conseguimos comprar qualquer colírio sem receita médica. No entanto, o que a gente não sabe é que alguns colírios têm a capacidade de provocar danos irreversíveis para nossa visão.

O colírio nada mais é do que um medicamento em uma formulação de gotas, para aplicação diretamente onde precisa atuar (os olhos). No entanto, os colírios são também absorvidos pelos vasos sanguíneos e caem na circulação do nosso corpo. Isso é tão importante, que alguns colírios podem causar crises de asma, aumento da pressão arterial e alterações no ritmo de batida do coração.

Alguns compostos não foram fabricados para uso prolongado e, portanto, podem trazer sérios prejuízos para nossa visão. São colírios que possuem medicações anestésicas, antiinflamatórias ou mesmo antibióticos. O uso dessas substâncias deve ser orientado por um médico oftalmologista, que é o profissional que estudou para saber exatamente o que pode e o que não pode em cada caso.

 

 

Lentes e óticas

2) Lentes de contato não devem ser compradas em óticas

lente de contato comprar

Sim. A adaptação de lentes de contato é um procedimento médico. Pode parecer que uma lente de contato é algo muito simples, mas não é. Para começar, quando estão nos olhos, as lentes de contato repousam justamente sobre uma das estruturas mais nobres do nosso corpo: as nossas córneas.

Quando um oftalmologista opta por uma ou outra lente de contato, ele não define apenas qual o grau da lente. As lentes de contato possuem um diâmetro que pode ser maior ou menor, uma curvatura que pode ser maior ou menor, um material que pode ser mais ou menos permissivo à passagem do oxigênio.

 

Quando o olho é mais curvo, uma lente plana pode lesionar a córnea. O mesmo acontece com um olho mais plano, com uma lente muito curva. E aí? Qual opção de lente escolher? Obviamente, essa escolha deve ser feita por um médico, não por um farmacêutico ou óptico.

 

Quando o médico faz as avaliações para escolher por uma ou outra lente para um paciente, ele leva em consideração uma série de fatores: a ceratometria do paciente (que é a curvatura da córnea), o formato da córnea, o grau de hidratação necessário nas lentes, a presença de condições locais que possam impedir um ou outro tipo de lente de contato, os tipos de grau do paciente e a presença de doenças.

Essa escolha é muitas vezes um processo muito simples e automático para o médico oftalmologista, que até parece algo banal (e por isso outros profissionais acabam achando que também são aptos para realizar aquele procedimento). No entanto, foram no mínimo 9 anos de formação médica (6 anos de medicina, 3 em oftalmologia) para que o oftalmologista consiga fazer essa escolha de forma natural.

 

Infelizmente sabemos que é possível chegar em uma ótica, em qualquer lugar do Brasil, e comprar lentes de contato apenas mostrando a receita do óculos. Os riscos que o paciente assume quando age dessa maneira são extremamente relevantes: lentes mal adaptadas e mal cuidadas são a principal causa de uma grave doença dos olhos – a úlcera de córnea.

 

Veja a foto de um olho com a córnea sadia e normal:

 

olho humano

 

Agora, veja uma foto de uma úlcera de córnea:

 

úlcera córnea

 

Preciso dizer mais alguma coisa?

 

 

Lentes gelatinosas descartáveis

3) As lentes de contato gelationosas descartáveis possuem data de validade quando abertas

 

manual de uso lente de contato

 

Esse texto foi retirado do manual de uso da lente Biofinity, para servir apenas de exemplo.

É muito comum vermos por aí pacientes que usam as lentes gelatinosas de troca mensal por 2 ou 3 meses antes de jogá-las fora. Alguns esperam até as lentes começarem a “arranhar” para só então abrir um novo par.

Pense na lente gelatinosa como uma verdadeira gelatina. As bactérias adoram repousar e se entranhar em sua estrutura. Obviamente as lentes devem ser higienizadas diariamente, mas com o passar do tempo, a adesividade das bactérias aumenta, a capacidade da lente se livrar de sujeiras diminui e o problema começa a aparecer.

 

Quando você faz uma gelatina e a coloca na geladeira, se o fabricante diz que ela vence depois de uma semana, você é capaz de comê-la depois desse período? Provavelmente não, não é verdade? A mesma coisa funciona com a lente descartável. Uma vez que ela foi aberta, o período de validade é aquele que o fabricante determinou como seguro (geralmente, 30 dais). Portanto, usar uma lente por um período maior é procurar problema.

 

O tratamento correto com lentes de contato não é barato. Reduzir os custos do tratamento estendendo o período de uso das lentes é simplesmente a pior coisa que você pode fazer para seus olhos. Nesse caso, prefira uma lente rígida (com validade que por vezes chega a 5 anos) ou uma lente gelatinosa de troca anual.

 

 

Exame de vista

4) O exame oftalmológico deve ser realizado em todas as idades e regularmente

 

exame oftalmológico crianças

 

Crianças devem fazer exame oftalmológico de forma regular desde o nascimento. Adolescentes e adultos também. Idosos… também!

As crianças pequenas apresentam uma visão que não é definitiva e precisam ser acompanhadas por oftalmologista para que alterações sejam percebidas ainda em tempo hábil para tratamento.

 

Além disso, existem doenças que podem acometer os olhos e levar à perda de visão de forma irreversível… em todas as idades! Geralmente, quando pensamos em doenças dos olhos, pensamos em catarata, glaucoma e outras alterações que pensamos que só acometem pessoas de mais idade. Mas o que não sabemos é que tanto essas quanto outras doenças podem também acontecer em crianças, adolescentes e adultos jovens. Inclusive, existem uma série de doenças que são mais comuns em jovens: ceratocone, retinoblastoma (uma forma de câncer de retina, mais comum em crianças) e outras.

Por isso, a consulta oftalmológica deve ser realizada em todas as idades e com a frequência estipulada pelo médico (geralmente, de forma anual). Essa é a maneira mais eficaz de prevenir doenças mais sérias e preservar a visão.

 

 

Óculos

5) Usar óculos não enfraquece a visão

 

oftalmologista

 

O óculos adequado não faz a visão piorar. Também não nos faz enxergar menos. O que acontece é que muitas vezes somos tão acostumados com uma visão ruim que quando começamos a usar os óculos é que passamos a notar essa diferença. Antes dos óculos, a visão embaçada não incomodava porque não sabíamos como era uma visão nítida. Mas o embaçamento é exatamente o mesmo.

Os óculos não fazem a visão ficar pior quando o tiramos. Quando a gente acostuma com uma coisa boa, ficar sem ela é muito mais complicado.

 

 

Televisão e visão

6) Ver televisão de perto não faz mal para os olhos (não faz aparecer grau)

 

óculos televisão

 

Crianças gostam de ver televisão de perto porque a imagem fica mais nítida, maior e é mais fácil prestar atenção. Obviamente, toda criança que persistentemente prefere assentar mais próximo para ver a imagem deve ser examinada. Mas para uma criança (ou adolescente, adulto…) com a visão normal (com ou sem uso de óculos), assentar perto da TV não traz nenhum prejuízo para a visão. O grau aparece por uma série de fatores, em sua maior parte genéticos – não é ficar perto da tela da televisão que vai fazer o grau se desenvolver.

Mas sejamos sensatos: a distância adequada é aquela que permite um conforto e visão ampla de toda a tela, sem precisar mexer muito o pescoço para enxergar toda a tela. Inclusive, para cada tamanho de TV é indicado uma distância ideal de conforto (você pode pesquisar isso diretamente no site do fabricante da sua televisão).

 

 

Olho vermelho

7) Se os olhos estão vermelhos, um oftalmologista deve ser consultado

 

olho vermelho

 

Olhos vermelhos são sinais de que alguma coisa não está legal. Não estou dizendo aqui daquele olho vermelho que acontece só de vez em quando, após uma noite mal dormida ou exposição a poluição. Estou dizendo do olho que fica vermelho “do nada” e assim continua. Às vezes, pode vir acompanhado de dor, incômodo ao mexer os olhos, baixa de visão… e nesses casos não preciso nem de dizer que é preciso procurar um oftalmologista com urgência, não é mesmo?

Mas vamos voltar ao nosso olho vermelho. Uma série de doenças podem cursar com olhos vermelhos (sim… e não apenas a conjuntivite!). Desde coisas simples e sem impacto na visão até doenças mais complicadas e com grande impacto visual. Vou te mostrar algumas doenças que podem começar como um olho vermelho, aparentemente sem grandes complicações, como esse logo ali em cima. Veja novamente a imagem acima.

 

Agora… Veja o que esse simples olho vermelho pode estar camuflando, em grande aumento:

  • Ceratites: inflamações da córnea, que podem acontecer por causa de ataques por vírus, bactérias, fungos, processos auto-imunes e simplesmente inflamatórios. Podem evoluir até para perfuração da córnea, em casos mais graves.

 

ceratite úlcera córnea

 

  • Uveítes: inflamação da úvea (íris, corpo ciliar e coróide: e se você não lembra quem eles são, veja nesse artigo aqui). Pode ter causas variadas, que vão desde infecções até processos auto-imunes, doenças reumáticas, Tuberculose, sarcoidose, toxoplasmose e uma série de outras doenças de difícil diagnóstico e tratamento

 

uveíte anterior

 

Veja essa foto aqui embaixo. Aparentemente um olho pouco vermelho, sem grande importância, não é mesmo?

 

pus no olho

 

Agora, preste bastante atenção àquela parte de baixo, em frente à íris (parte colorida do olho). Repare que existe uma região como topo mais reto, dentro do olho, de cor branco-amarelada. Viu? Pois então… Aquilo chama-se hipópio (pus na câmara anterior do olho). Trata-se de um quadro de uveíte que precisa ser acompanhado de perto e pode representar grande problema para o olho.

 

  • Esclerites e Episclerites: inflamações da parede ocular que podem ser graves e debilitantes. Podem ocorrer por processos infecciosos e também auto-imununes

 

episclerite

 

  • Glaucoma agudo: uma condição muito grave, que pode arruinar a visão em poucas horas. Acontece quando ocorre um bloqueio no processo de filtragem do líquido que existe dentro do olho, elevando a pressão ocular para cifras bem elevadas (por vezes chega a 50, 60 mmHg de pressão)

 

Portanto, olho vermelho que não melhora ou quando está associado a outros sintomas (dor, baixa de visão, incômodo, cefaléia…) sempre deve ser examinado por um oftalmologista!

 

 

Grau de óculos

8) Usar óculos não faz o grau diminuir

 

óculos

 

Essa é a mais pura verdade. O grau vai fazer o que ele está pré-determinado a fazer, independentemente do uso do óculos. Existem muitos fatores que implicam nas alterações do grau, que envolvem desde questões genéticas, nutricionais a condições individuais… mas o uso do óculos não está entre elas.

Portanto, devemos usar o óculos para melhorar a visão e para evitar problemas mais sérios, dependendo da idade e da situação… mas não é o uso adequado dos óculos que vão fazer o grau diminuir (e nada também vai… remédios caseiros, plantas medicinais e etc)

 

 

Remédios caseiros

9) Fórmulas caseiras (leite, planta, caldo, etc) não devem ser usadas nos olhos

 

remédio caseiro para olho

 

O olho é uma estrutura muito sensível e particularmente desprotegida contra esses tipos de atentados terroristas à sua integridade física. Se existe um motivo para se usar essas substâncias, é porque detectou-se algum problema. Um olho com problema precisa de um diagnóstico e de um tratamento adequado, e não fórmulas milagrosas que não funcionam. Sim: não funcionam. Se o olho melhorou com o uso dessas substâncias, ajoelhe e reze. Foi uma enorme coincidência e olho melhorou APESAR da substância.

 

Essas fórmulas, para início de conversa, estão cheias de bactérias e microorganismos, pois não foram preparadas para serem instiladas nos olhos. Além disso, podem ser mais ácidas ou alcalinas em relação ao pH do olho. Ainda, contém substâncias que não tem um efeito previsível e reprodutível.

É claro que a ciência descobre coisas novas a cada dia, mas, enquanto não temos nenhuma comprovação, é melhor usarmos o que está do nosso lado: conhecimento. Sendo assim, nunca use substâncias nos olhos que não foram prescritas por um oftalmologista.

 

 

Doenças silenciosas

10) Existem doenças que causam cegueira e podem evoluir sem nenhum sintoma

 

doença silenciosa glaucoma

 

Sim, elas existem. E como exemplo mais clássico, vou citar o glaucoma. O glaucoma é uma doença do nervo óptico que é causada, na maioria das vezes, pela elevação da pressão intra-ocular. E ao contrário do que você pensa, a pressão ocular quando está em níveis elevados (mas não tanto – digamos 20 a 30 mmHg) pode não causar ABSOLUTAMENTE nenhum sintoma.

A elevação da pressão, quando persistente, pode danificar de forma irreversível o nervo óptico. Muitas vezes, quando o paciente percebe a alteração, a visão já atingiu um déficit importante e o tratamento pode não ser mais eficaz.

 

Além do glaucoma, podemos citar a rotura da retina. Muitas vezes, a retina pode se romper em sua região periférica e lá permanecer por alguns meses a anos, sem causar nenhum sintoma. Eventualmente, essa ruptura pode resolver evoluir e permitir a passagem de líquido para seu interior, descolando toda a retina. Nesses casos, a visão diminui de uma hora para outra (mas a rotura poderia ter sido diagnosticada em um exame de rotina).

Esses foram apenas 2 exemplos que mostram a importância de realizar consultas oftalmológicas rotineiras, antes dos problemas aparecerem. Muitas vezes, esperamos muito e acabamos com danos irreversíveis à nossa visão.

 

 

Doenças sistêmicas

11) O olho também é acometido por doenças sistêmicas

 

O olho não é apenas um local que está susceptível a doenças locais e aos vários tipos de grau. Ele é um órgão do corpo humano e compartilha com os outros órgãos um mesmo sistema circulatório, nervoso, humoral, etc. Assim sendo, diversas doenças podem acometer também a integridade da nossa visão. Como exemplo, cito essas duas doenças:

  • Hipertensão arterial: pode levar a obstruções vasculares, sangramentos e uma série de outras complicações para os olhos. Veja a imagem abaixo

 

retinopatia hipertensiva

 

  • Diabetes: uma das doenças com maior risco de acometimento ocular, pode causar microaneurismas, hemorragias, vazamento de líquido e morte de regiões da retina.

 

retinopatia diabética

 

Além delas, uma infinidade de outras doenças também podem acometer os olhos. Como regra geral, todo paciente com alterações sistêmicas devem fazer controle oftalmológico regular.

 

 

Olho saudável

12) Enxergar bem não significa que o olho é saudável

 

Algumas doenças causam graves alterações oculares, mantendo a capacidade de enxergar ainda intacta até suas fases mais avançadas. Podemos mencionar novamente o glaucoma, que acomete a visão periférica muito antes de atingir a parte central.

Além dele, uma série de outras patologias podem acometer regiões pouco importantes para a visão central, mas de grande importância para a saúde ocular. Por esse motivo, usar a desculpa “Minha visão é ótima! Enxergo até letra de bula sem óculos!” para não ir ao oftalmologista regularmente é uma grande furada.

 

 

Ler em movimento

13) Ler no ônibus não prejudica a visão

 

ler em movimento no ônibus

 

Quando estamos olhando para um objeto que está a uma longa distância de nossos olhos, a musculatura ocular está completamente relaxada. Quando trazemos o foco para perto, é importante que a musculatura ciliar contraia para que consigamos enxergar de perto (dependendo do grau da miopia, não é inclusive necessário contrair a musculatura para essa visão nítida de perto). Esse processo não se altera se estamos parados ou em movimento, seja em um carro ou ônibus.

Algumas pessoas apresentam um grande desconforto quando tentam fazer atividades para perto nessas condições, e isso não é uma regra para todos, tampouco prejudica a visão. É uma condição denominada cinetose, que pode provocar tonturas e mal-estar. Portanto, ler no ônibus, se não incomoda uma determinada pessoa, não traz nenhum prejuízo para a visão.

 

 

Coçar os olhos

14) Coçar e esfregar os olhos podem trazer sérios problemas

 

coçar esfregar os olhos

 

O aparecimento de algumas doenças oculares estão relacionadas ao microtrauma produzido pelo processo de coçar e esfregar os olhos.

A doença mais relacionada a esse processo é o ceratocone, uma alteração da córnea muito comum em pacientes alérgicos, que coçam muito os olhos. Com o trauma repetido causado pelo ato de esfregar os olhos, a córnea tem sua estrutura um pouco enfraquecida, o que ocasiona uma mudança em sua forma. Como vimos nos artigos sobre anatomia e visão, a córnea é uma importante lente que serve para focar os raios de luz na nossa retina. Quando ocorrem mudanças da forma corneana (de forma irregular, no ceratocone), a visão fica embaçada, e muitas vezes não resolve nem mesmo com uso de óculos. Dependendo do grau e dos impactos sobre a visão, a correção do ceratocone pode envolver cirurgias e inclusive o transplante da córnea.

Além disso, quando de forma mais intensa, o próprio ato de esfregar os olhos pode ocasionar o descolamento da retina, uma condição grave que põe em sério risco a visão.

 

 

Dor de cabeça

15) Dor de cabeça não significa necessariamente problema de visão

 

dor de cabeça óculos

 

As ametropias (ou “tipos de grau”, como você preferir), em sua maior parte, não causam cefaléia.

 

Alguns graus não corrigidos podem sim causar esse tipo de sintoma: é comum vermos pacientes com hipermetropia ou mesmo baixos graus de astigmatismo com cefaléia, principalmente quando realizam atividades que demandam mais atenção, por muito tempo. Ao contrário do que muitos pensam, graus mais altos não necessariamente causam esse tipo de sintoma (e não podemos dizer que “quanto maior o grau, mais dor de cabeça”).

No entanto, aquela dor de cabeça mais forte, que incomoda com grande frequência, merece sim uma avaliação mais pormenorizada. Para esses casos, é bom descartar alterações oftalmológicas, mas o mais comum é a presença de alterações neurológicas, que devem ser investigadas.

 

 

Desenvolvimento

16) A nossa visão se desenvolve até por volta dos 8 a 9 anos

 

oftalmologista exame de vista

 

O desenvolvimento das estruturas oculares é um processo que tem início quando ainda somos um pequeno embrião, no útero de nossas mães, e só termina lá por volta dos 8 a 9 anos. Quando nascemos, a visão ainda está longe de ser aquela definitiva, que teremos quando adulto.

No início, o bebê recém nascido mal consegue enxergar vultos. Com o tempo, começa a reconhecer padrões, como o rosto dos pais. Nessa fase, a visão melhora com uma grande velocidade, atingindo um nível praticamente normal até o final do primeiro ano de vida. No entanto, algumas estruturas continuam em desenvolvimento até os 8 a 9 anos. A nossa fóvea, região central da retina, apresenta evoluções até por volta dessa época, quando a retina se amadurece passa a ter uma visão mais definitiva.

 

Quando a criança, com visão ainda em desenvolvimento, é privada de uma visão normal (seja pela presença de um alto grau, gerando embaçamento, seja pela presença de doenças), aquele olho pode ter o seu desenvolvimento visual final comprometido. Quando isso acontece, temos um sério problema: a ambliopia, que muitos conhecem como vista preguiçosa. Nessas situações, os olhos que não apresentam um desenvolvimento normal até essa idade, não mais conseguem melhorar a visão para os níveis normais.

As principais causas de problema de desenvolvimento da visão incluem uma diferença de graus entre os dois olhos, graus mais altos, estrabismo e outras doenças oculares. Por isso é importante que toda criança seja acompanhada por um oftalmologista desde cedo. Deixar para realizar a primeira consulta apenas quando começam as queixas é uma verdadeira loteria – muitas vezes já passou o tempo ideal para resolver o problema.

 

 

Lentes e vista cansada

17) Pessoas com mais de 40 anos podem usar lentes de contato

 

óculos vista cansada

 

É muito comum ouvirmos por aí que pessoas com vista cansada (presbiopia), não podem usar lentes. Felizmente isso já não é tão verdade há muito tempo. Possuímos lentes de contato para as mais diversas situações, incluindo lentes de contato multifocais e próprias para situações de olho seco e outras alterações.

As técnicas de adaptação de lentes de contato são variadas e devem ser avaliadas caso a caso. É possível usar lentes para longe e um óculos apenas para leitura; é possível usar em um olho uma lente para longe e no outro, uma para perto; é possível usar lentes para longe e perto (multifocais) nos dois olhos; dependendo da situação, é possível usar apenas uma lente (apenas em um dos olhos), melhorando a visão de perto ou de longe… Enfim… As possibilidades são muitas. Converse com seu oftalmologista e descubra qual a melhor opção para o seu caso.

 

 

Glaucoma: vilão silencioso

18) O glaucoma, na maior parte das vezes, não dá nenhum sintoma

 

glaucoma deixa cego sintomas

 

Uma enorme verdade. A pressão ocular, quando elevada cronicamente, na enorme maioria das vezes, não causa nenhum sintoma – essa é a forma mais comum de glaucoma (glaucoma primário de ângulo aberto).

Apenas em casos de aumento agudo da pressão, para valores maiores que 30 a 40 mmHg, ocorrem esses sintomas (geralmente ocorre nos casos de glaucoma agudo, um caso muito específico em que há bloqueio da filtragem do líquido intra-ocular).

 

Portanto, o glaucoma pode ser considerado como um grande vilão silencioso. Ele é um dos grandes responsáveis pela cegueira e, quando controlado em tempo hábil, pode não chegar nesses níveis. Assim sendo, recomendamos avaliação periódica para todas as pessoas, para diagnóstico precoce do glaucoma e de uma série de outras alterações oculares que também sãoo silenciosas.

 

 

Grau e visão

19) Uma pessoa com 10 graus pode enxergar melhor do que uma pessoa com 1 grau

 

óculos de grau

 

Sim, não está errado o que você está lendo. A medida do grau se refere ao valor da lente que é necessária para deixar a visão focada. Algumas pessoas precisam de mais grau para ter a visão focada e outras menos. No entanto, quando a visão está focada, mesmo uma pessoa com mais grau pode ter uma visão melhor do que uma com menos grau. Para avaliar a visão, pedimos para o paciente fazer a leitura de letras cada vez menores, em uma distância e tamanhos padronizados.

 

Como exemplo, cito uma pessoa que teve ambliopia (vista cansada), devido a estrabismo. Ela pode apresentar déficit de visão nos dois lados, mesmo sem grau. Suponhamos que o estrabismo tenha sido corrigido após o período de término de desenvolvimento da visão, deixando a visão reduzida de forma definitiva. Mesmo com um pequeno grau, essa pessoa pode não ter uma boa visão.

Agora, vejamos um caso típico de um míope, com cerca de 5 a 6 graus. Com os óculos (ou lente, ou após cirurgia refrativa a laser para reduzir o grau), pode conseguir ler letras muito menores do que aquele nosso primeiro paciente, do parágrafo acima. Portanto, grau alto não significa visão ruim – e o contrário também é verdade (visão ruim não significa grau alto).

 

 

Preciso de óculos?

20) Nem todo grau precisa ser corrigido com óculos

 

óculos necessidade indicação

 

Verdade. Como dissemos anteriormente, o uso ou não do óculos não interfere na evolução do grau. Assim sendo, existem graus que não necessitam de correção: aqueles graus que não incomodam ou causam sintomas nos pacientes, que não atrapalham muito a visão e que podem ser compensados tranquilamente pela própria musculatura ocular – principalmente em pessoas que não têm uma grande exigência visual nas atividades do dia-a-dia. E isso vale para todos os tipos de grau: miopia, astigmatismo, hipermetropia.

Mas não pense que, se sua visão está embaçada e você não está vendo problemas nisso, não precisa de óculos. Alguns graus pequenos, quando acompanhados de algumas alterações oculares, precisam do uso de óculos como forma de tratamento. Outras muitas vezes, achamos que a visão está embaçada pela presença de graus, mas muitas doenças podem levar ao embaçamento e não serem causadas pela presença de grau. Logo, todos precisam ser acompanhados por oftalmologistas e a decisão pelo uso ou não dos óculos deve ser feita em conjunto com seu médico, que é a única pessoa capaz de dizer que, para a sua situação específica, ficar sem os óculos não lhe causará problemas.

 

 

Lentes rígidas

21) As lentes rígidas são mais seguras do que as lentes gelatinosas

 

lente rígida

 

Apesar da grande evolução que vemos na tecnologia, formatos e materiais das lentes nos últimos anos, as lentes rígidas ainda são preferidas pela maior parte dos médicos como forma de evitar infecções. As lentes rígidas estão associadas a uma redução significativa da infecção ocular, principalmente em suas formas mais graves, como úlceras de córnea.

Além da maior facilidade de manutenção e cuidado com as lentes, as lentes rígidas são também mais indicadas para resolver alguns problemas mais complicados, como é o caso do ceratocone, altos graus de astigmatismo ou distorções na superfície da córnea. No entanto, nem tudo são flores. As lentes rígidas, mesmo com materiais mais atuais e tecnologia cada vez mais avançada, ainda incomodam mais os olhos do que as lentes gelatinosas.

Portanto, quando um médico opta por um ou outro tipo de lente para um determinado paciente, ele leva em consideração todos esses fatores. Por isso a adaptação de lentes de contato é um ato médico (e deve ser feito em consultório, não na ótica).